aTo NO faTO


Instalación realizada en la Galería Acbeu, Salvador – Bahia – Brasil.La cuestión de la intimidad fue el punto de partida de la investigación para la instalación “O aTo No fAto”, realizada en el inicio del año 2000, 21 camas de hierro (tamaño aproximado:60x40cm) fijadas en las paredes del ambiente, teniendo en las sábanas, dibujos bordados, con símbolos del cotidiano (silla, vaso, sandalia, maleta, etc.) despertando la mirada del Ser femenino para el universo.

Por: Lu de Laurentiz

«aTo No fAto é o nome da exposição que a artista plástica Bia Santos expôs na Galeria ACBEU, de 5 a 16 de maio. E conforme lê-se/vê-se no cartão convite à exposição, o que a jovem artista expôs são Desenhos Bordados.

Tal expressão, se a princípio, já oferece uma interrogação: os bordados em si já não são desenhos? Com as letras iniciais das duas palavras, em maiúsculo, há uma sutileza em sugerir distinção e aproximação entre ambas. Daí, a artista quer apresentar o que? Desenhos? E Bordados? Algo como desenhos-bordados e/ou bordados/desenhos?

Bem, me parece que eu me meti em um nó com as linhas, por mim, escritas, ao refletir sobre os desenhos em linhas bordados que a artista Bia Santos expôs na galeria situada na Rua 7 de setembro (corredor da Vitoria). Casa essa, expositora que é simpatizante e ativista à arte contemporânea. Mas, deixem escrever um pouco mais sobre o aTo No fAto, e para tanto, irei usar os tempos verbais, no presente do indicativo, para tornar a minha memória mais participadora dos escritos pós as visitação à uma semana atrás.

Assim, o fato é que quando a gente adentra à galeria não se vê nem desenhos e nem bordados, e ao ato da chegada o que se vê são camas. Há uma cama de ferro em escala natural, com desenho torneado, e há também, vinte e uma camas cujas as dimensões apresentadas são, em escala de miniaturas, como se fossem caminhas de bonecas (serão: três vezes sete anões?). Todas as caminhas são feitas em ferro torneados e elas vem apresentadas na cor branco, sendo que, estão fixadas em três paredes da galeria.

Houve, por parte da artista, um cuidado para a disposição das caminhas mas paredes. Ela tratou em dispô-las com desenhos imaginários em cada uma delas. Lembro-me melhor, da parede longitudinal, onde há uma linha invisível sugerindo uma escada em perfil decrescente, no sentido, esquerda-direita, à partir dos objetos instalados nela.

Assim, o visitante, ao percorrer a sala, ao aproximar-se das camas em miniaturas, aí é que ela vai ver os Desenhos Bordados. Bia Santos desenhou com linhas bordadas sobre cada um dos objetos, cama, um outro objeto do cotidiano de quer “cristão” que visita a sua exposição. Assim, o que se vê: bule; xícara com pires; ferro de passar roupa; telefone; óculos; relógio; roupa íntima (cueca e sutiã); uma calça comprida; chaleira; arame farpado (?); paletó; violão; talheres; livro; chinelos; um rosário (por isso o sentido “cristão”); caneca; entre outros elementos de nossa cotidiária vida. Só que a última das caminhas a artista deixa-a com a coberta em branco (vazio), pois não há nenhum desenho bordado sobre o tecido que forra-a.

Daí, o visitante chega à cama “normal”, que tem um colchão, mas, ele está recordado. O recorte borda a silhueta de um corpo vazado, que penetrou toda a espessura da espuma desse colchão. Será um corpo ou mais de um?

O vestígio dado pela artista é feminino, pos ela marca essa passagem com um par de sapatos altos, la cor branco, colocados ao lado da cama de ferro pintada na cor dos sapatos. E os desenhos dos objetos do nosso cotidiano, nas camas miniaturas, são bordados com linhas nas cores, dourado e prateado, para a cama maior: tudo azul.

O que será que Bia Santos está se propondo fazer nessa exposição traz interrogações, tanto para o plano conteudístico de/em sua trajetória artística como para o conceito dO aTo No fAto, enquanto exposição. Se, no tocante, à sua carreira, a artista  vem explorando o bordado como desenho, e sempre usando como suporte, os tecidos claros. Dessa vez, como os tecidos, com os Desenhos Bordados, não estão esticados no varal, e sim, repousados na horizontalidade das colchas que cobrem as caminhas, o observador visitante tem que chegar perto e olhar para ver os desenhos bordados.

Parece que com essa tática, Bia atinge um conceito para a exposição, enquanto instalação. O visitante olha cada Desenho Bordado, pensado e registrado, para cada uma das vinte camas em miniatudas e pode-se permitir a refletir sobre cada um deles “o que está fazendo em cima da cama”.

Então, é, impossível, ignorar o intimismo que a artista está se propondo ao fazer a sua dupla: desenhar e bordar “coisas”. Porém, se depois de tudo visto e reconhecido, o resultado-conceito pula do vazio em branco, registrado na caminha, próxima à cama normal, para entender O aTo No fAto, pelo sinal dado: um par de sapatos femininos altos. O fato no ato da colocação desse objeto fornece uma interrogação persistente e que ainda martela na incompreensão do jogo da intimidade, entre o artista eo eu, visitante, pois pode sugerir um outro caminho.»

Lu de Laurentiz